Pálida á luz da lua, sento-me na varanda quieta, como que a imaginar o brilho de teus olhos sobre o fogo incandescente das estrelas, e teus olhos vem-me a memória como brilhos foscos por um luar embalsamado de neblina, onde a névoa cobre-me a retina fina para que o torpor amargo da saudade não cegue-me , este então brando de lacrimejar a ausência que de tão silente já não seja como um estranho, a assolar com cinzas o paraíso d'onde exalávamos e inspirávamos amor.
Neste bosque, que aos meus olhos são apenas impressões do passado propagando-se sobre o turvo e sombrio presente, tudo é olvidado pelo amor, sucedendo apenas lembranças mortas pelo tempo, secando como folhas de outono nutrindo ás beiras dos lagos e campinas, que não expiram alegria.
Entorpeço-me até que um grito calmo da alma transborde, visitando as montanhas distantes onde toda fantasia de amar floria os campos em que nossas almas juvenis rolavam-se sem preocupar-se com o penoso inverno que se aproximava.
A saudade devasta por ai, como o inverno envenena a beleza das flores.
Pálida luz da lua envolta da escura noite, d'onde guardas o fervor da vida?
Oh luz pálida do luar até quando irei ao delírio de sentimentos que a nostalgia em mim constrói?
Deixa-me apenas vagar sem destino nestas campinas em que tanto fui feliz, d'onde há muito tempo minha alma eu perdi.
Outonos que guardei.
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